Pontos de Extensão Territorial como dispositivos de tripla mediação: evidências da extensão universitária argentina
DOI:
https://doi.org/10.58313/masquedos.2026.v11.n15.488Palavras-chave:
extensão crítica, diálogo de saberes, ancoragem territorial, dispositivos de mediaçãoResumo
Quais condições institucionais favorecem o diálogo de saberes na extensão universitária? Este artigo propõe
conceituar os dispositivos de ancoragem territorial como espaços de tripla mediação: para o interior da universida
de (articulando transversalidades institucionais) e entre universidade e território em uma dupla dimensão (diversi
ficando vínculos com atores horizontais e habilitando condições para passar do reconhecimento dos saberes à sua
tematização dialógica). A continuidade temporal — materializada em presença sustentada, equipes permanentes e
memória territorializada — constitui uma condição habilitadora para que essas mediações operem em profundida
de, uma vez que o diálogo de saberes dificilmente ocorre em encontros pontuais, exigindo processos sustentados
de construção de confiança, processamento de conflitos e tematização progressiva das diferenças epistêmicas.
A proposta é desenvolvida por meio de uma análise comparativa de 47 projetos de extensão da UNICEN (2018
2025), dos quais 19 se articularam com Pontos de Extensão Territorial (PET) e 28 não estabeleceram tal articulação.
Os resultados mostram que os projetos articulados com PET apresentam maior transversalidade intrauniversitária,
maior densidade público-comunitária (especialmente com organizações de base, coletivos e mesas de bairro) e
menor fracasso na tematização dialógica dos saberes identificados. A tendência observada indica que o PET não
produz mais saberes em si, mas sim condições institucionais para sua colocação em diálogo.
A principal contribuição do artigo consiste em demonstrar que a extensão crítica requer dispositivos estáveis de
territorialização que mediem em três planos simultâneos e mutuamente interdependentes. Sem essas condições
institucionais, o diálogo de saberes tende a depender excessivamente de iniciativas individuais e encontra maiores
dificuldades para se sustentar em escala institucional.
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